1988 – As Relações Naturais ou Novel Teatro Diorâmico Cronotrópico e Fantasmagórico

Ora sou um, ora sou outro! Meu espírito vive cheio de temores e arrependimentos! Se louco é quem possui a coragem de dizer tais coisas, mais louco é o que se cala, sorvendo suas dúvidas, como se elas não existissem. Mais dia, menos dia, acabam por explodir num momento de glória e vingança da natureza. E ainda querem destituir-me do único bem que possuo como absolutamente meu: a verdade.”

Qorpo Santo


A peça “As Relações Naturais ou Novel Teatro Diorâmico Cronotrópico e Fantasmagórico” trata da reunião de três pequenas comédias do polêmico dramaturgo Qorpo Santo (1829-1883): aquela que dá título ao espetáculo mais “Hoje sou um, amanhã outro” e “Eu sou vida, eu não sou morte”.

“As Relações Naturais...” discute o direito das pessoas a se relacionarem, inclusive sexualmente, como e com quem lhes aprouver. Quanto a “Hoje sou um, amanhã outro”, é simultaneamente um depoimento do autor sobre si mesmo, suas dúvidas, seus desejos, e uma reflexão sobre o poder e a violência institucionalizada. Já “Eu sou a vida, eu não sou morte” é uma irônica reflexão sobre a relação amorosa e as diferentes formas da conquista.

Os textos são altamente metafóricos, com uma codificação absolutamente incomum para a época em que foi escrita, desafiando a percepção e a atenção do espectador.

A produção dessa peça garantiu ao grupo Caixa de Pandora dez premiações em apenas dois festivais, o II Fenarte, em Salvador, na Bahia, e o 4º Festival de Teatro de Pelotas. Na Bahia, a peça conquistou os prêmios de melhor espetáculo, melhor direção, melhor ator, melhor figurino e melhor iluminação. Já em Pelotas, os prêmios recebidos foram melhor direção, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor figurino e melhor maquiagem.


No elenco, a figura de Felipe Zunino é estupenda e emocionante, sobretudo na primeira peça. Juçara Flores, Eira Martins, Jucilene Santos, Lene Franck, Maria Clara Ibañez, que completam o elenco, estão equilibrados, rendendo diferentemente em cada texto, mas sempre num uníssono valorizador do trabalho, enquanto Luiz Carlos Peixoto destaca-se no segundo texto. A música de Adolfo Almeida Jr. e Mauro Amaral é extremamente eficiente, o cenário de Orásio e o figurino de Juçara Flores, mais os bonecos de Celso Monteiro e a iluminação do próprio diretor e de Anilton de Souza dão ao espetáculo um belo acabamento.”

Trecho de crítica de Antônio Hohlfeldt, publicada no jornal Diário do Sul em 08/09/1988


PRÊMIOS:

Melhor espetáculo, melhor direção, melhor ator, melhor figurino e melhor iluminação no II Fenarte (Salvador, Bahia)

Melhor direção, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor figurino e melhor maquiagem no 4º Festival de Teatro de Pelotas


FICHA TÉCNICA:

Direção: João Pedro Gil
Assistente de direção: Juçara Flores
Elenco: Bira Martins, Felipe Zunino, Juçara Flores, Jucilene Santos, Lene Frank, Luiz Carlos Peixoto e Maria Clara Ibañez
Músicas: Adolfo Almeida Jr. e Mauro Amaral
Direção musical: Adolpho Almeida Jr.
Coreografia: Osmar Amaral
Iluminação: João Pedro Gil e Anilton de Souza
Maquiagem: Margarida Leoni Peixoto
Cenário e programação visual: Orásio
Figurino: Juçara Flores
Costureiras: Odila Menezes e Jandyra Flores
Fixação do texto: Guilhermino Cesar
Assistência de Direção: Juçara Flores
Operação de som: Ben Hur Machado
Operação de Luz: Anilton de Souza

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